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O que é afta?
A afta ou
estomatite aftosa recorrente é uma das doenças mais comuns que
ocorrem na mucosa da boca, acometendo, em média, 20% da população.
A estomatite aftosa recorrente é caracterizada pelo
aparecimento de úlceras dolorosas na mucosa bucal, que
podem ser múltiplas ou solitárias, e que têm caráter recorrente.
O número das lesões varia de pessoa para pessoa, como também o
intervalo entre o aparecimento das aftas, que varia desde
semanas a anos.
Quais as características
da afta?
Algumas
vezes, a afta pode ser precedida por ardência, coceira e
formigamento. Logo após, surge uma lesão avermelhada e circunscrita
que, posteriormente, se transforma em uma úlcera arredondada com
limites bem definidos, extremamente dolorosa, coberta por área
branco-amarelada e cercada por um halo avermelhado. O tamanho e o
tempo de duração das aftas depende do tipo.
Existem três tipos de aftas: as aftas menores, as aftas maiores (ou
aftas de Sutton) e as aftas herpertiformes. As aftas menores
representam a forma mais comum e as lesões geralmente apresentam
menos de 1,0 cm. Este tipo de afta geralmente dura de 7 a 14 dias e
não deixa cicatriz. A mucosa jugal (parte interna da bochecha) e a
mucosa do lábio são as regiões mais acometidas. A ocorrência de
aftas na gengiva e no palato duro (céu da boca) é extremamente raro.
Os outros tipos de afta (maior e herpertiforme) são mais raros. A forma herpertiforme é assim chamada porque
se assemelha à manifestação do vírus herpes simples, apresentando um grande
número de pequenas ulcerações superficiais arredondadas e
agrupadas, que duram cerca de 7 a 14 dias. A afta maior, como o nome indica, produz uma
ulceração maior, medindo de 1,0 a 3,0 cm, é mais profunda, mais
dolorosa, mais difícil de tratar e permanece semanas ou, às
vezes, meses.
Qual a causa da afta?
Os mecanismos que levam
ao aparecimento das aftas ainda não foram totalmente esclarecidos.
As evidências, no entanto, apontam para uma destruição da mucosa da
boca pelo sistema imune. Muitas causas têm sido apontadas para esta
ativação do sistema imune, o que inclui alergia, trauma,
predisposição genética, stress, influências hormonais, entre outras. Em adição,
pacientes com AIDS apresentam um aumento da freqüência do
aparecimento de formas severas de aftas.
Outras doenças podem se
assemelhar às aftas?
Sim. O
câncer de boca (carcinoma de células
escamosas) pode
se apresentar semelhantemente a uma simples afta. Por isso, se você
apresentar uma úlcera
na boca que não cicatrize dentro de 15 dias, procure um estomatologista para o correto diagnóstico da lesão.
Outras doenças, como a infecção pelo vírus herpes simples e algumas
doenças dermatológicas que apresentam manifestação bucal, como o
líquen plano, o lupus eritematoso, o pênfigo e o perfigóide também podem se assemelhar
às aftas,
especialmente para o leigo. Além disto, certas
doenças sistêmicas têm sido associadas ao aparecimento de ulcerações
semelhantes clínica e microscopicamente às aftas que aparecem em
indivíduos saudáveis, como a síndrome de Behçet, onde a pessoa
apresenta ulcerações na boca (aftas), ulcerações em genitália e
inflamação crônica ocular.
Tem algum problema em
queimar as aftas com formol?
Algumas pessoas têm o hábito de aplicar formol para aliviar a dor
das aftas. Esta conduta deve ser evitada, já que estes produtos
retardam a cicatrização, pois destroem o tecido da região e fazem
parar a dor porque as terminações nervosas também são destruídas. O
que acontece é a substituição da afta por uma queimadura química.
Qual o tratamento para as
aftas?
Existem diferentes modalidades de tratamento para as
aftas, porém o tratamento a ser escolhido depende da severidade, do
número e do intervalo de tempo em que elas aparecem. Infelizmente,
não há cura, mas existem medicamentos que podem diminuir a
freqüência e a severidade das aftas.
Para pacientes com uma doença leve a moderada, o tratamento
principal é o uso de corticóides tópicos (aplicados no local).
Existem vários corticóides tópicos que podem ser utilizados, desde
os de baixa até os de alta potência. Para os casos mais severos da
doença, os corticóides tomados na forma de comprimidos são mais
eficazes, porém possuem efeitos colaterais importantes, sendo,
portanto, imprescindível o acompanhamento de um especialista. Além
disto, vários outros medicamentos têm sido usados na tentativa de
resolver o problema.
Referências
Bibliográficas:
MAGALHÃES M H C G. Aftas.
Revista da APCD. 53 (6), 1999.
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